Pedagogia da Autonomia: saberes
necessários à prática docente
Paulo Freire
Não há docência sem discência
Ensinar exige
rigorosidade metódica
Ensinar exige
pesquisa
Ensinar exige
respeito aos saberes dos educandos
Ensinar exige
criticidade
Ensinar exige
estética e ética
Ensinar exige
a corporeificação das palavras pelo exemplo
Ensinar exige
risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação
Ensinar exige
reflexão crítica sobre a prática
Ensinar exige
o reconhecimento e a assunção da identidade cultural
Ensinar não é transferir conhecimento
Ensinar exige
consciência do inacabamento
Ensinar exige
o reconhecimento de ser condicionado
Ensinar exige
respeito à autonomia do ser do educando
Ensinar exige
bom senso
Ensinar exige
humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores
Ensinar exige
apreensão da realidade
Ensinar exige
alegria e esperança
Ensinar exige
a convicção de que a mudança é possível
Ensinar exige
curiosidade
Ensinar é uma especificidade humana
Ensinar exige
segurança, competência profissional e generosidade
Ensinar exige
comprometimento
Ensinar exige
compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo
Ensinar exige
liberdade e autoridade
Ensinar exige
tomada consciente de decisões
Ensinar exige
saber escutar
Ensinar exige
reconhecer que a educação é ideológica
Ensinar exige
disponibilidade para o diálogo
Ensinar exige
querer bem aos educandos
FREIRE, Paulo. Pedagogia da
Autonomia: saberes necessários à prática docente. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura)
Trechos
Qualquer
discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça
a força dos condicionamentos a enfrentar. A boniteza de ser gente se acha,
entre outras coisas, nessa possibilidade e nesse dever de brigar. Saber que
devo respeito à autonomia e à identidade do educando exige de mim uma prática
em tudo coerente com este saber. Pág 25
Todo ensino
de conteúdos demanda de quem se acha na posição de aprendiz que, a partir de
certo momento, vá assumindo a autoria também do conhecimento do objeto. O
professor autoritário, que recusa escutar os alunos, se fecha a esta aventura
criadora. Nega a si mesmo a participação neste momento de boniteza singular: o
da afirmação do educando como sujeito de conhecimento. É por isso que o ensino
dos conteúdos, criticamente realizado, envolve a abertura total do professor ou
da professora, à tentativa legítima do educando para tomar em suas mãos a
responsabilidade de sujeito que conhece. Mais ainda, envolve a iniciativa do
professor que deve estimular aquela tentativa no educando, ajudando-o para que
a efetive. Pág. 47
A atividade
docente de que a discente não se separa é uma experiência alegre por natureza.
E falso também tomar como inconciliáveis seriedade docente e alegria, como se a
alegria fosse inimiga da rigoridade. Pelo contrário, quanto mais metodicamente
rigoroso me torno na minha busca e na minha docência, tanto mais alegre me
sinto e esperançoso também. A alegria não chega apenas no encontro do achado mas
faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não podem dar-se fora da
procura, fora da boniteza e da alegria. O desrespeito à educação, aos
educandos, aos educadores e às educadoras corrói ou deteriora em nós, de um
lado, a sensibilidade ou a abertura ao bem querer da própria prática educativa
de outro, a alegria necessária ao que-fazer docente. É digna de nota a
capacidade que tem a experiência pedagógica para despertar, estimular e
desenvolver em nós o gosto de querer bem e o gosto da alegria sem a qual a
prática educativa perde o sentido. É esta força misteriosa, às vezes chamada vocação,
que explica a quase devoção com que a grande maioria do magistério nele
permanece, apesar da imoralidade dos salários. E não apenas permanece, mas
cumpre, como pode, seu dever.
Amorosamente,
acrescento. Mas é preciso, sublinho, que, permanecendo e amorosamente cumprindo
o seu dever, não deixe de lutar politicamente, por seus direitos e pelo
respeito à dignidade de sua tarefa, assim como pelo zelo devido ao espaço
pedagógico em que atua com seus alunos.
É preciso,
por outro lado, reinsistir em que não se pense que a prática educativa vivida
com afetividade e alegria, prescinda da formação científica séria e da clareza
política dos educadores ou educadoras. A prática educativa é tudo isso:
afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança
ou, lamentavelmente, da permanência do hoje. Pág. 53
O educador
progressista precisa estar convencido como de suas consequências é o de ser o
seu trabalho uma especificidade humana. Já vimos que a condição humana fundante
da educação é precisamente a inconclusão de nosso ser histórico de que nos
tornamos conscientes. Nada que diga respeito ao ser humano, à possibilidade de
seu aperfeiçoamento físico e moral, de sua inteligência sendo produzida e desafiada,
os obstáculos a seu crescimento, o que possa fazer em favor da boniteza do
mundo como de seu enfeamento, a dominação a que esteja sujeito, a liberdade por
que deve lutar, nada que diga respeito aos homens e às mulheres pode passar
despercebido pelo educador progressista. Não importa com que faixa etária
trabalhe o educador ou a educadora. O nosso é um trabalho realizado com gente,
miúda, jovem ou adulta, mas gente em permanente processo de busca. Gente
formando-se, mudando, crescendo, reorientando-se, melhorando, mas, porque
gente, capaz de negar os valores, de distorcer-se, de recuar, de transgredir.
Não sendo superior nem inferior a outra prática profissional, a minha, que é a prática
docente, exige de mim um alto nível de responsabilidade ética de que a minha
própria capacitação científica faz parte. É que lido com gente. Lido, por isso
mesmo, independentemente do discurso ideológico negador dos sonhos e das
utopias, com os sonhos, as esperanças tímidas, às vezes, mas às vezes, fortes,
dos educandos. Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não
devo, de outro, negar a quem sonha o direito de sonhar. Lido com gente e não
com coisas. Pág. 53
Acesse o
texto completo clicando aqui.
Leia também:
GADOTTI, Moacir. A boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. São Paulo: Grubhas, 2003, clicando aqui.
Leia também:
GADOTTI, Moacir. A boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. São Paulo: Grubhas, 2003, clicando aqui.


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