ESCOLA BÁSICA MUNICIPAL BEATRIZ DE
SOUZA BRITO
O Projeto de Gestão que apresentamos,
ao mesmo tempo em que representa a continuidade do trabalho pedagógico que vem
sendo desenvolvido na Escola Beatriz, contempla aspectos fundamentais que
precisam ser enfrentados nestes novos tempos, como a discussão em torno da
educação integral.
CONTEXTO
No
ano de 1963 foram unidas as quatro casas-escola do bairro Pantanal e criado em
um único lugar o Grupo Escolar Beatriz de Souza Brito, que em 1986 foi
transformado em Escola Básica. Portanto, no ano de 2013 comemoramos o
cinquentenário da Escola Básica Municipal Beatriz de Souza Brito, que se localiza
na Servidão Crescêncio Mariano e atende hoje 495 estudantes, sendo 267 do 1º ao
5º ano e 228 do 6º ano a 8ª série.
São
12 turmas de anos iniciais e 7 de anos finais, pois em decorrência do processo
de implementação do ensino fundamental de 9 anos, em 2013, a Rede Municipal de
Florianópolis possui sua última turma remanescente do ensino de 8 anos. Este
atendimento é possibilitado por 61 profissionais, sendo 12 professores atuando
nos anos iniciais, 9 nos anos finais e 2 nos anos iniciais e finais; 23
profissionais de apoio pedagógico/administrativo e 15 de apoio
administrativo/pedagógico.
O
atual prédio da Escola Beatriz, inaugurado em 1986, aguarda por uma reforma
desde o ano de 2008, quando o projeto começou a ser pensado. Esse sonho deverá se
concretizar em 2014, de acordo com o planejamento da Secretaria Municipal de
Educação.
OBJETIVOS:
. Consolidar
e sistematizar o Projeto Político-Pedagógico, considerando: o compromisso da
escola com a formação de leitores e escritores, a nova realidade dos anos
iniciais e o entendimento da educação enquanto um processo de humanização e
formação integral;
. Fortalecer
a gestão democrática, desenvolvendo ações que tornem a participação um conteúdo
formativo.
REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO
No
ano de 2000, o Brasil participou do Programa
Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avaliou a área de
leitura. Os resultados mostraram que, dos estudantes que realizaram a prova,
22,21% encontravam-se em nível muito crítico de leitura e 36,76%, no nível
crítico (BRASIL, 2008). Outras avaliações, criadas para acompanhar a evolução
do desempenho escolar, como o Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), reforçavam este
diagnóstico.
A
realidade da Escola Beatriz neste período não era diferente do restante do
Brasil. Em 2005, o IDEB
da Escola nos anos iniciais era de 3,3 e nos anos finais de 3,9, indicando
que algo precisava ser feito. Principalmente se entendermos que o domínio da
linguagem, como atividade discursiva e cognitiva, é condição de maior
participação social, pois pela linguagem os indivíduos se comunicam, acessam à
informação, defendem e partilham visões de mundo, produzem cultura. Porém, a
importância e o valor atribuídos aos usos da linguagem são determinados
historicamente, de acordo com as demandas sociais de cada momento. Hoje, não
basta saber ler e escrever: é preciso fazer uso dessa tecnologia nas práticas
sociais de leitura e escrita, o que implica operar com um conceito fundamental
da atualidade, qual seja, o de letramento.
A
partir desse contexto histórico e social iniciamos, em 2004, a implementação do
Curso de Formação “Ler e escrever:
compromisso da escola, compromisso de todas as áreas”, envolvendo todos os
profissionais da Escola no estudo da leitura, o que implicava enfrentar
questões como: o que é ler, para que ler, como ensinar a ler e a quem compete
essa tarefa.
Em
2013 comemoramos dez anos dessa história de formação que, aos poucos, tomou
corpo e contagiou todos os nossos espaços e tempos de discussão e produção de
conhecimento: do planejamento das aulas aos projetos de leitura e saídas de
estudos, da redefinição do conselho de classe à definição dos eixos
articuladores do currículo, da definição dos conteúdos de cada área do
conhecimento à discussão e sistematização do projeto político-pedagógico.
Mas,
como toda história é marcada por limites e possibilidades, por avanços e
recuos, continuidades e rupturas, chegamos a um momento na história político-pedagógica
da Escola Beatriz que precisamos ter a coragem de avaliar o caminho percorrido,
considerando principalmente a nova realidade educacional, para continuar e
aprofundar o que considerarmos importante, mas também para ousar fazer de outro
jeito se for necessário.
A partir
de 2007, com a implementação do ensino fundamental de nove anos e a entrada de
crianças de 6 anos na escola, o processo de alfabetização inicial ganha novos significados
e a escola tem novos desafios a enfrentar. E é sob esse novo contexto que, em
2009, o PIBID/Pedagogia-UFSC
nos coloca diante da necessidade de compreender a infância como “a condição
social de ser criança”; a criança como “um ser humano de pouca idade, capaz de
‘participar’ da cultura em interação com outras crianças, adultos e com os
artefatos humanos, materiais e simbólicos”; e “a escola como um lugar
privilegiado da infância nos nossos tempos” (pressupostos do GEPIEE - Grupo de Estudos e
Pesquisas Infância, Educação e Escola).
Além
desses aspectos, ganha força no cenário educacional brasileiro o debate em
torno da educação integral e a educação em tempo integral, e a Escola Beatriz não
pode mais se furtar a enfrentá-lo.
METAS / CRONOGRAMA / AÇÕES
META: APROFUNDAMENTO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
DA ESCOLA, TORNANDO A PARTICIPAÇÃO UM CONTEÚDO FORMATIVO (jan. 2014 – dez.
2016)
AÇÕES:
. Fortalecer
as instâncias de participação e decisão da Escola;
. Incentivar
a criação de canais de participação direta mais sistemáticos;
. Desenvolver
trabalho sistemático junto aos estudantes do 1º ao 9º ano, considerando a
participação enquanto um conteúdo formativo;
. Reelaborar
o estatuto da APP e o regimento do Conselho de Escola;
. Discutir
sistematicamente formas de arrecadação e aplicação dos recursos da APP/Conselho
de Escola;
. Publicizar
à comunidade escolar a prestação de contas da APP/Conselho de Escola.
META: CONSOLIDAÇÃO DO PROJETO
POLÍTICO-PEDAGÓGICO (jan. 2014 – dez. 2016)
AÇÕES:
. Intensificar
o processo de discussão e sistematização do Projeto Político-Pedagógico;
. Ampliar
a discussão do PPP junto aos pais e estudantes;
. Intensificar
o processo de discussão e sistematização do currículo;
. Elaborar
o regimento interno da Escola; manter a assessoria das professoras Terezinha
Bertin e Regina Célia Santiago;
. Buscar
assessoria para o debate em torno da educação integral e da educação em tempo
integral;
. Criar
novos espaços e tempos de socialização do trabalho pedagógico.
META: QUALIFICAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
POR MEIO DA REVISÃO/ALTERAÇÃO DO PROJETO DE REFORMA DA ESCOLA (jan. 2013 – jul.
2015)
AÇÕES:
. Criar
uma comissão para o acompanhamento da reforma da Escola;
. Redimensionar
o projeto previsto para o segundo bloco, buscando a ampliação da sala
informatizada e da biblioteca, por meio da criação de uma sala multimídia com
tratamento acústico e equipamento tecnológico adequado;
. Defender
junto à SME a necessidade, diante da atual realidade educacional, da construção
de um laboratório de ciências com uma área externa para a realização de
experimentos;
. Propor
a ampliação da sala multiuso destinando espaço para exposição e o armazenamento
de materiais;
. Retomar
o projeto de humanização do espaço interno e externo: instalação de brinquedos
integrados a natureza para a constituição de cantos lúdicos e de bancos e mesas
para os cantos de convivência, plantio de árvores nativas e frutíferas,
colocação de lixeiras seletivas;
. Redimensionar
o atual espaço informal destinado a brinquedos e brincadeiras, transformando-o
em uma brinquedoteca;
. Criar
no ginásio um espaço adequado para depósito de materiais e do lixo/papel para
reciclagem;
. Construir
uma lixeira para uso da Escola e Creche;
. Defender
a construção de uma área coberta próxima à guarita para a proteção das
crianças/adolescentes e seus familiares;
. Repensar
o projeto de reforma visando incluir aspectos de sustentabilidade e segurança
no trânsito;
. Exigir
da PMF o acabamento da obra de contenção do morro da Igreja.
META: QUALIFICAÇÃO DOS FLUXOS E
SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO E PEDAGÓGICO DA ESCOLA E VALORIZAÇÃO DOS
PROFISSIONAIS (jan. 2013 – dez. 2016)
AÇÕES:
. Criar
uma política de acolhimento/acompanhamento dos novos profissionais;
. Redefinir
os espaços, os responsáveis e os fluxos, otimizando a utilização dos
equipamentos, dos materiais didático-pedagógicos e outros;
. Informatizar
os dados sobre o armazenamento de materiais didático-pedagógicos e outros;
. Disponibilizar
computadores para a pesquisa na biblioteca;
. Dar
continuidade à política de ampliação e qualificação do acervo da biblioteca
escolar;
. Estudar
a demanda da Escola em relação aos materiais de uso individual e coletivo no
sentido de qualificar a solicitação à SME;
. Incentivar
a participação dos profissionais em cursos de formação continuada;
. Apoiar
iniciativas que possibilitem a ampliação do universo cultural dos profissionais;
. Repensar
os espaços de convivência e descanso dos profissionais;
. Possibilitar
melhores condições de trabalho e segurança aos profissionais de apoio.
META: QUALIFICAÇÃO DO TRABALHO
PEDAGÓGICO E VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DOCENTE (jan. 2014 – dez. 2016)
AÇÕES:
. Criar
uma política de acolhimento/acompanhamento dos novos professores;
. Repensar
o projeto de formação continuada da Escola Beatriz;
. Repensar
a metodologia dos Conselhos de Classe;
. Garantir
a implementação da hora-atividade conforme a Portaria nº 130 de 2013;
. Qualificar
o (re)planejamento do trabalho pedagógico em sala de aula, criando novos
espaços e tempos de estudo, discussão e articulação das diferentes áreas do
conhecimento;
. Definir,
com os professores-auxiliares, diretrizes para o encaminhamento do trabalho;
. Qualificar
as saídas de estudos;
. Apoiar
iniciativas que possibilitem a ampliação do universo cultural do professor;
. Articular
o trabalho pedagógico com a Creche Nossa Senhora Aparecida;
. Incentivar
a participação dos professores em eventos culturais e educacionais.
META: AMPLIAÇÃO DO UNIVERSO CULTURAL E
DA PARTICIPAÇÃO E PERMANÊNCIA DOS ESTUDANTES NA ESCOLA (jan. 2013 – dez. 2016)
AÇÕES:
. Criar
uma política de acolhimento/acompanhamento dos novos estudantes;
. Apoiar
iniciativas que possibilitem a participação dos estudantes em atividades
educacionais, culturais e esportivas;
. Buscar
a garantia do Atendimento Educacional Especializado – AEE aos estudantes com
deficiência;
. Problematizar,
junto à SME, a Política de AEE;
. Apoiar
os alunos que apresentam dificuldades econômicas graves;
. Estudar
junto ao CRAS a possibilidade de inclusão de novas famílias da Escola no
Programa Bolsa Família;
. Desenvolver
ações que visem à diminuição dos atuais índices de evasão e aprovação com restrição;
. Apoiar
iniciativas que possibilitem a ampliação do universo cultural dos estudantes;
. Qualificar
as possibilidades de espaço/atividades a serem desenvolvidas no horário do
recreio;
. Retomar
o projeto de escolinha de futebol com profissional especializado;
. Criar
uma política de apoio aos estudantes da 8ª série/9ºano e seus familiares;
. Qualificar
o trabalho de apoio pedagógico.
META: CRIAÇÃO DE UMA POLÍTICA DE
COMUNICAÇÃO DA ESCOLA (2014)
AÇÕES:
. Elaborar
uma Política de Comunicação da Escola; criar um canal específico de comunicação
da direção com a comunidade escolar - “Fale com a diretora” - utilizando-se de
meios impressos, digitais e encontros pessoais;
. Incentivar
projetos que envolvam leitores e escritores da palavra e da imagem, para a
apropriação dos meios de comunicação a fim de que nestes se expressem os
direitos das crianças, jovens e adultos à fruição e produção de material
educacional de qualidade;
. Possibilitar
o acesso aos meios, promover o olhar crítico, a releitura e reescritura de
saberes a partir das elaborações e produções da comunidade escolar;
. Criar
e implementar canais de comunicação da escola com a comunidade escolar, e desta
com a sociedade, socializando e publicizando as ações desenvolvidas na e pela
Escola;
. Construir
um mural na entrada da Escola para socialização do calendário escolar, de
eventos educacionais, artístico, culturais e esportivos da escola, da
comunidade e da cidade.
OUTRAS AÇÕES:
. Fortalecer/ampliar
as parcerias com outras instituições (UFSC, UDESC, SESI, ELASE, entre outras);
. Participar
das discussões junto ao CCPAN e ao Fórum da Bacia do Itacorubi em torno da
duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira;
. Dar
continuidade e qualificar as ações em torno da segurança na Escola Beatriz;
. Discutir
junto a SME e Conselho Municipal de Educação a implementação da política
intersetorial (áreas da saúde, assistência e cultura) prevista no Plano
Municipal de Educação.
TRANSFORMAÇÃO
Trans: “através de”, “depois de”, ou “para
além de”.
Forma: “maneira de ser exterior”, “aspecto
exterior”.
Ação: “o que se faz”, “agir”, “sequência de
acontecimentos”.
Florianópolis,
11 de novembro de 2013.
CAMILA PORCIUNCULA SANTOS
Candidata
a Direção da Escola Beatriz


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