Precisamos de uma Educação transformadora
Nos últimos
50 anos o mundo e a sociedade como um todo se modificaram profundamente e, as
pessoas que viveram esse tempo se modificaram mais ou menos, de acordo com
suas próprias decisões em relação com o que acontece ao seu redor. Nas escolas
isso não foi diferente.
Pessoas que
nasceram e viveram em um regime autoritário como na ditadura militar no Brasil,
onde se devia obediência cega e irrestrita às normas e valores convencionados
como os ideais para se viver em sociedade, ainda manifestam em suas ações e se
comportam em seus pensamentos e sentimentos com resquícios daquele tempo em que
os dirigentes censuravam tudo aquilo que fosse contrário às suas regras.
Simplesmente se calava a voz do outro, se discriminava e se fazia de tudo para
“sumir com as pessoas do mapa” no mundo de equilíbrio entre quem mandava e quem
obedecia.
Hoje há uma
maior conscientização dos jovens a respeito de sua existência nesse mundo em
transformação, quando as decisões ou imposições que antes eram tomadas sem
levar em consideração seus sonhos e aspirações, de maneira autoritária, não são
mais aceitas de maneira passiva, nem cegamente obedecidas. As crianças, muito
mais, que sempre questionaram com seus “porquês” aquilo que não entendem ou não
faz sentido para elas, são atualmente um claro sinal de que realmente muita
coisa se modificou ao longo desse tempo todo.
Com a luta e
os esforços de muitos a sociedade vai se modificando das relações autoritárias
para as relações democráticas e participativas. As decisões não podem mais
partir de apenas uma pessoa, ou grupo, impondo seus pontos de vistas sem levar
em consideração todos os sujeitos envolvidos em alguma questão de interesse
geral. Nas escolas isso também acontece.
É a
Comunidade Escolar com todos aqueles que a formam quem deve se responsabilizar
e se comprometer pelo destino, rumos e finalidades da Escola. Os alunos,
familiares, pais e responsáveis, Professores, funcionários, coordenadores
pedagógicos (diretores, administradores, orientadores e supervisores
educacionais) é que são os sujeitos que fazem essa Escola. São os que devem se
unir em torno de um “projeto” comum, amplamente discutido, debatido, refletido
a partir de suas próprias realidades, vivências e experiências e construir os
“porquês” de a Escola seguir em direção ao bom cumprimento de suas finalidades
enquanto instituição de ensino. Essas discussões formam um documento que chamamos
de “Projeto Político-Pedagógico” da Escola. É um documento que vai orientar os
passos da Escola e de toda a sua comunidade, os passos de todos em comum na
realização de todos os processos que se unem em favor de uma Escola
democrática, participativa, com a colaboração de todos. Nem sempre nas escolas
foi assim.
Podemos
perceber que no mundo inteiro há pessoas, grupos organizados na luta pela
defesa dos direitos humanos (a quem chamamos de sociedade civil) e outros bons
representantes e setores da sociedade (poderes executivo, legislativo e
judiciário) insatisfeitos com os desrespeitos às conquistas que garantiriam a
todos uma melhor qualidade de vida e condições plenas de humanização para
viver. Acontecem ao redor do planeta manifestações gigantescas que estão sendo
observadas entre todos os povos, em todos os países, e crianças, jovens,
adultos e idosos já não aceitam situações que lhes foram impostas
arbitrariamente por algumas poucas pessoas, ou grupos interessados em controlar
o mundo e tudo e todos que nele habitam.
Quando as
mídias, os jornais, a televisão e a Internet não distorcem os fatos,
constatamos essas manifestações como pura expressão de um descontentamento com
o que está posto ou se impõem às pessoas.
Como é que é
estar insatisfeito com os rumos e as decisões que acontecem nas escolas? Como é
que os sujeitos que compõem a comunidade escolar se manifestam a favor ou
contra do que acontece nas escolas? Essas insatisfações acontecem E, são
ouvidas, acolhidas, e os sujeitos da comunidade escolar que manifestam suas
reivindicações são respeitados em seus direitos de falar e participar dos rumos
e destinos da escola?
As
insatisfações das crianças e jovens acontecem? E as dos pais e responsáveis? E
os professores e funcionários? Como, quando, onde, por quê? Quais são essas
insatisfações?
O momento
especial da discussão, debate e reflexão em torno da eleição para o cargo de
diretor das escolas é uma oportunidade imperdível para tomarmos posições sobre
o que temos e o que queremos para as escolas. É nesse momento que também
expressamos nossa confiança - ou desconfiança - sobre o projeto de gestão que
vai sendo construído para a discussão com a comunidade escolar.
Esses
projetos são de continuísmo e conformação com o que está posto, ou é um projeto
que tenha concepção na participação democrática e efetiva de todos os
participantes da comunidade escolar? Esses projetos são de “direção” da escola
ou de “gestão democrática” da escola?
O mundo, a
sociedade, as pessoas, as crianças, os jovens, os adultos e idosos que querem o
Bem Viver estão se transformando profundamente, porque as relações precisam ser
mais democráticas e mais humanizadas nesse planeta em que vivemos. Nessa
realidade global tudo está relacionado, todos estamos interligados uns aos outros.
Ou estamos
conectados como “coisas”, como peças descartáveis dentro de um sistema
desumanizador, ou estamos interligados como “sujeitos” de direitos e deveres,
no compromisso de resgatar nossa humanidade que nos foi retirada sutil ou
escancaradamente por uns poucos que dirigem nossas vidas.
É preciso
modificar uma dinâmica que foi imposta às pessoas por anos e séculos, para que
estas se formatassem como “peças descartáveis” do sistema que privilegia poucos
e oprime a muitos. Essa “roda” do continuísmo irresponsável e impunemente
arrastando, atropelando, moendo e triturando consciências, sonhos, aspirações,
as pessoas, os grupos e o mundo já não funciona mais como funcionou
antigamente. Um antigamente que ainda se faz forte, quase irresistível, presente
em muitas pessoas, grupos, projetos e propostas de direção das escolas.
É preciso
modificar nossas atitudes, modificarmos nossas consciências, é preciso
reconhecer nossa dignidade de sujeitos com direitos iguais, é preciso que nos
transformemos em seres humanos para recriarmos um mundo melhor para todos, onde
todos sigamos juntos nessa caminhada e evolução, nos co-movendo por um projeto
de vida emancipador, democrático, participativo, responsável.
É preciso que
essa transformação se realize nas escolas.
Por isso, e muito mais, eu dou meu apoio à Profa. Camila para diretora da Escola Beatriz De Souza Brito

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